Mãos de Barro


Olá, benvindo(a) ao meu blogue!
Poderia começar por contar uma história, mas penso que todo o artista começa por uma paixão e a minha foi a pintura.
Assim a minha história começa com a pintura!
Desde pequena que um papel e um lápis era a minha delicia, lembro-me da mãe me oferecer um conjunto de canetas e de eu passar horas a olha-las tirando-as de um sítio e po-las noutro orientando-me pelo sentido estéctico que mais me convinha.Com elas voava no meu mundo de cor criando formas e rabiscos. Sendo notória esta minha tendência resolvi ir para a escola de artes visuais António Arroio (o melhor tempo da minha vida!!!). Foi là que apurei técnicas , noções do que é a pintura e o contacto com vários artistas fez-me crescer a todos os níveis.Tive como mestres a Altina Torres, Helena Estanqueiro entre outros não menos importantes. Tirei o curso de Design textil e pintura, fiz estágio em Aubusson Tapeçaria de baixo-liço. Mais tarde abordei outras técnicas como a do azulejo com Silvan Bougard ,olaria com o mestre Rodrigues a pintura em vidro (falso vitral) e agora a escultura em barro e em vidro. Bem devem estar a pensar e de onde vem as "Mãos de Barro"?Pois é Mãos de barro porque se "moldam" se transformam ,criam , sentem , falam.Com as mãos há um universo de coisas que se pode fazer e esse é o objectivo do meu blogue mostrar o que as minhas mãos fazem!Espero que tenham tanto prazer em vê-las como eu tive a faze-las...







terça-feira, 30 de setembro de 2008

Uma porta aberta

Cada traço do artista Doa a santa verdade De uma alma contida.Doa contra a vontade De uma boca cativa, Do pavor que habita o seu coração.
Verdade que peita o servo polido, O pai, o marido, o lorde bretão. Pavor que desarma o bravo sedento, Estanca o tormento da intuição.
Cada traço do artista Descortina a bondade De uma alma mestiça. Lava a mediocridade De uma ira postiça, Do rancor que atiça o seu coração. Bondade que peita o ar de felino, A lei, o castigo, o mestre turrão. Rancor que pragueja seu gênio delgado, De trata o arado da percepção.
Cada traço do artista Desamarra o desejo De uma alma infinda. Desafia o sentido De uma vida prescrita, Do torpor que sopita o seu coração.
Desejo que peita a desesperança, O fim, o tropeço, o ermo chorão.Torpor que minora sabores divinos, Converte, em cretinos, fiéis da paixão. O artista voa.Quando traça, voa Tanto, que ressoa E nem é mais pessoa.

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